RELATÓRIO DE ATIVIDADES – JUNHO/2011

 

 

1 – Atividades do GT Pesquisa

 

A Audiência Pública para discutir o Tombamento e Criação do Parque da Fonte, convocada pela Comissão de Políticas Públicas da Câmara Municipal de São Paulo, aconteceu dia 08 de junho de 2011, às 10h, no Plenário 1º de Maio. Não sabendo ao certo onde esta Audiência Pública poderia nos levar, resolvemos nos preparar com a maior seriedade. Preparamos cartazes que foram afixados nos estabelecimentos comerciais do Morro e adjacências (como a Padaria Estrela do Butantã, padaria Universitária, Casa Tamoyo, Casa do Norte); preparamos e distribuímos, em todas as casas do Morro, filipetas convidando os moradores para o evento; escolhemos trechos de algumas filmagens (uma delas feita no dia da ManiFestAção, em 10/04/2011)  e montamos um vídeo para a abertura da sessão (para apresentar nossos argumentos e justificativas de forma clara e objetiva); o GT Teatro preparou performance (lítero-musical-dramática) para apresentar em frente à Câmara, das 9 às 10hs (e assim sensibilizar visitantes, funcionários e vereadores que chegavam para o trabalho); orçamos e contratamos um ônibus (com motorista) para levar/trazer a comunidade (este ônibus foi pago pelo gabinete do Vereador Chico Macena); preparamos faixas; e, finalmente, preparamos alguns lanches e frutas pois sairíamos da Pracinha às 7:30h e só retornaríamos por volta das 13h.

Às 9h já estávamos reunidos em frente a Câmara.

Às 10h estávamos todos no “Plenário 1º de Maio” aguardando inicio da sessão que foi aberta pelo Vereador Chico Macena, que logo convidou para ocupar a mesa,  representante da Secretaria do Desenvolvimento Urbano, da Secretaria dos Negócios Jurídicos (o próprio Secretário Cláudio Lembo), da Secretaria do Verde e Meio Ambiente, da Subprefeitura do Butantã (o próprio subprefeito Daniel), do Depto. Patrimônio Histórico, e nós. Não podemos, nem devemos, nos estender mais sobre este evento neste Relatório de Atividades. Vamos apenas concluir dizendo que foi momento de grande emoção para todos os presentes, um encontro harmonioso, com colocações inteligentes, apresentação de conflitos e posturas positivas quanto ao Tombamento e à Criação do Parque.  No Butantã, e principalmente no Morro do Querosene, foi assunto para vários dias, com aqueles que não foram querendo saber o que havia acontecido, todos querendo expressar sua opinião.

 

A TV Câmara entrevistou alguns dos presentes logo após o término da sessão – este vídeo pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=nHm1KWsREkU .

 

Dois ou três dias após a realização da Audiência Pública, o Sr. Sec. Eduardo Jorge, de SVMA, manifestou sua intenção de fazer um DUP – Decreto de Utilidade Pública para a área que compreende a Chácara. Tão logo recebemos esta notícia, o GT Pesquisa passou a preparar o documento “Contribuição para Preparação do DUP” entregue ao Sr. Pedro Perez, do NGD-1 (Parque da Previdência).

 

Dando continuidade à nossa Pesquisa, fomos buscar, no 4º Cartório de Registro de Imóveis da Capital, a “Transcrição nº 12.400” de 05/07/1935, onde se lê que a Vila Pirajussara é formada por terrenos arruados e loteados, conforme planta levantada em 16/01/1930 pelo Eng Paulo Amaral, a pedido do próprio interessado Henrique de Toledo Lara, planta da qual já possuímos cópia, que confere parcialmente, não no todo, com a planta hoje reconhecida pela Prefeitura.

 

Certifica este documento que o “Memorial de Loteamento” denominado Vila Pirajussara, de propriedade de Henrique de Toledo Lara, foi inscrito neste mesmo 4º Registro de Imóveis sob nº 03, em 24/05/1938, às páginas 9 e 10 do Livro Auxiliar nº 8. Conforme pesquisas já realizadas anteriormente, este Loteamento não chegou a ser registrado na Secretaria Municipal da Habitação, para a qual, toda a Vila Pirajussara ainda é uma gleba. Esta ausência de loteamento retardou os benefícios de água encanada, esgoto e luz elétrica, motivo para, já em 1970, todos os loteamentos da vizinhança (como Bonfiglioli, City Butantã, Vila Indiana, Vila Sonia e Caxingui)  tivessem luz elétrica enquanto na Vila Pirajussara permanecia o uso do candieiro e lampião de querosene e, por este motivo, ela passou a ser conhecida como Morro do Querosene.

 

Além de dados a cerca da criação da Companhia Construções e Melhoramentos da Vila Pirajussara em 22/08/1946, e de seu litígio com Henrique de Toledo Lara, esta Certidão nos trouxe grande surpresa: a Estrada de Itu, antes Estrada São Paulo Mato Grosso e Estrada de Osasco,

passou a denominar-se Av. Corifeu de Azevedo Marques (em muitos livros encontramos que o Peabiru, que antes passava por Sorocaba, começou a passar por Ytu, após a proibição de Tomé de Souza em 1540). Esta Certidão é mais uma prova de que o Peabiru passava pela Vila Pirajussara, mais precisamente a Chácara. Isso já sabíamos. Surpresa foi saber que passava por Mato Grosso, mais precisamente Cuiabá, e os livros têm nos contado que em Mato Grosso também se chegava de navio, pela Bacia do Prata.

 

No dia 15, tivemos uma reunião com o GT Teatro para esclarecer o motivo do atraso nos pagamentos, sobre nossas expectativas e algumas outras dificuldades da equipe.

 

No dia 18, fomos ao curso de Populações Indígenas, na PUC-SP, com o professor e antropólogo Benedito Prezia, que mostrou alguns aspectos das relações indígenas no Brasil e algumas crônicas escritas por viajantes europeus a respeito deles. Foi uma aula tão interessante que resolvemos convidar o Prof. Prezia para o Simpósio “Juntos no Peabiru”.

 

Ainda no dia 18 aconteceu a Festa do Batizado do Boi, tradicional acontecimento organizado pelo Grupo Cupuaçu em homenagem a São João, padroeiro do Bumba Meu Boi. Aproveitamos para montar nossa Barraca Cultural onde durante todo o evento,  uma TV exibiu o vídeo levado à Audiência Pública enquanto dávamos esclarecimentos e o abaixo-assinado recebia novas adesões.

 

 


No dia 23, um dia lindo e ensolarado, fizemos nossa segunda caminhada. Saímos da Fonte, percorremos a Rua Padre Justino, Rua da Bica, Rua Afonso Vaz, Rua Capitão Frederico Pradel, Pracinha e Rua Capitão Paulo Carrilho. Destacamos a presença de muitas antigas casas de comércio (algumas abertas até hoje) que nos faz imaginar o intenso tráfego de pedestres nestas largas ruas hoje tão pacatas. Também registramos o aspecto bucólico de muitas casas, reafirmando a natureza rural do bairro (até 1930, esta região era considerada zona rural e pertencia ao Ministério do Interior). Finalmente, embora não fosse esta nossa intenção inicial, registramos o encontro com vários moradores, demonstrando esta singularidade não muito comum na grande metrópole que é São Paulo.

 

 

 

          Parede de pedras na Fonte                                 Parede de pedras na “Porta do Sol” (local de ensaios do GT de Teatro)

  Portas de antigos comércios na Rua Padre Justino

 

Pracinha e Rua da Bica

 

 

 

 

 

 

 

 

Antigo local de comércio, ainda aberto.                                                         Antigo local de comércio transformado em moradia.

 

No dia 28 fomos ao MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia da USP), mas não foi possível visitar o museu, pois ele está fechado para reforma. Aproveitamos para conhecer a Biblioteca onde, embora o frio, fomos muito bem recebidas e encontramos obras reveladoras de fatos muito interessantes para o nosso projeto, como: TAUNAY. Informações sobre as minas de São Paulo;  OTTOLENGHI, Aldo. Civilizaciones americanas pré-históricas; e, PREZIA, Benedito Antonio Genofre. Indígenas no Planalto Paulista.

 

No dia 29 retornamos ao Instituto Butantã para um estudo mais detalhado sobre as fotos que o Instituto possui. No entanto, muitas das fotos que havíamos visto em nossa primeira visita, não as vimos desta vez. Isto nos causou muita apreensão quanto ao paradeiro destas fotos. Os funcionários do Instituto prometeram uma busca mais apurada e, em breve devem nos entregar um CD com as imagens digitalizadas das fotos que selecionamos. Vamos aguardar.

 

Quanto ao Curso “A Estrada Real e o Peabiru: caminhos ancestrais brasileiros” a ser ministrado na Fundação Memorial da América Latina, para o qual nos escrevemos em abril para acontecer em maio, depois adiado para junho, foi cancelado por falta de quórum.

 

Praticamente todos os dias, o GT Pesquisa alimentou o  website (www.fontedopeabiru.com.br) e organizou seu acervo de documentos.

 

2- Atividades do GT Teatro

 

Finalmente vão surgindo as primeiras cenas e músicas da trilha sonora do espetáculo “Peabiru, o caminho suave”.

 

O processo de criação é quase mágico. Não tínhamos nada. Experimenta de cá, experimenta de lá. Desanima. Anima. E, de repente começa a aparecer o resultado do trabalho, as idéias começam a se encaixar….Estamos encontrando a forma de levar ao público o resultado das pesquisas feitas antes e no decorrer do projeto, alguns personagens de ontem e outros do momento presente.

 

A estréia do espetáculo acontecerá dia 17/09/2011, às 17h,  no Teatro do CEU Butantã. E no dia 22/09/2011 haverá apresentação no Teatro do CEU Uirapuru, às 20h. Mais alguns locais já estão certos. No EE Alberto Torres faremos um ensaio geral (apenas para os alunos da escola). Em outros três locais falta confirmar data e horário. São eles a EMEF Amorim Lima, a Pracinha do Morro e a Casa de Cultura do Butantã. Preparamos e encaminhamos ofício ao Pateo do Collegio pleiteando apresentar o espetáculo naquele lugar: aguardamos resposta.

 

No dia 08, o grupo realizou uma intervenção/performance em frente à Câmara Municipal de São Paulo, antes do início da sessão da Audiência Pública. Essa performance deverá constituir uma das cenas do espetáculo.

 

Os encontros/ensaios foram realizados nos dias 01, 03, 08, 10, 15, 17, 22 e 29. Continuaram acontecendo na Porta do Sol, à Rua Afonso Vaz, nº 131, e o horário passou a ser das 13h às 16h (os dias continuam sendo às quartas e sextas-feiras).

 

Segue, abaixo, descrição das atividades desenvolvidas pelo GT  Teatro:

 

01/06/2011

- Aquecimento corporal

- Exercícios e aquecimento vocal

- Leitura de 1o. esboço do texto

 

03/06/2011

- Aquecimento corporal

- Aquecimento vocal

- Preparação para performance do dia 08/06/2011.

- Ensaio da música para a performance

 

08/06/2011

- Apresentação da performance/intervenção teatral, em frente à Câmara Municipal de São Paulo, antes da Audiência  Pública sobre o Tombamento e a criação do Parque da Fonte.

 

 

 

 

 

10/06/2011

- Aquecimento  corporal e alongamento.

- Exercícios de aquecimento vocal

- Montagem da primeira cena do espetáculo

 

15/06/2011

- Roda de conversa (colocações sobre o processo de construção do espetáculo/sugestões de cenas)

- Propostas de figurino

- Propostas de cenário

- Aquecimento corporal

- Cena das lavadeiras

- Cena de oposição por parte de um capitalista/mercenário, bloqueando o acesso à água

- Cena do pregão da bolsa (pregão da água)

- Cena da conversa da mãe e filho, seguindo para a cena da TV

- Introdução de novas cenas

 

17/06/2011

- Avaliação das cenas já construídas

- Sugestões de fatos históricos a serem abordados com encenação dentro do espetáculo

- Pontuações e citações que estão sendo colocadas nas músicas do espetáculo

- Colocações sobre estruturas necessárias, além do figurino e cenário (projetor, entre outros)

- Definição dos locais onde ocorrerão as apresentações do espetáculo

 

22/06/2011

- Aquecimento Corporal

- Aquecimento Vocal

- Marcações/Sugestões de cenário feitas por Orates

- Construção da cena  do Pai Sumé

- Ensaio do que foi construído, até o momento, com ênfase para cenas com as músicas

- Introdução de novas cenas

- Roda de Conversa

- Início da participação, no espetáculo, de Lara Giordana M. de O. Lima, atriz convidada a fazer parte do elenco, conforme previsto no projeto

 

 

 

 

29/06/2011

- Aquecimento corporal

- Aquecimento com Maculelê, utilizando as grimas(bastões)

- Resumo das cenas já construídas

- Introdução das seguintes cenas: reunião da comunidade para discussão sobre a água e a fonte, cena do Pai Sumé

- Roda de conversa

 

Em 03/06/2011.                                                                                  Em 29/06/2011

 

                                      Em 29/06/2011

 

 

 

3 – Atividades do GT Simpósio

 

No mês de junho conseguimos adiantar bastante a preparação do Simpósio “Juntos no Peabiru”.

 

A reserva do Auditório do Instituto Butantã já está confirmada para o dia 13 de setembro.

 

A programação está praticamente fechada: na parte da manhã, das 09h às 12h30 com um intervalo de 30 minutos (das 10h30 às 11h), o tema da discussão será história e arqueologia, com os expositores já confirmados Rossano Lopes, Júlio Abe e Benedito Prezia (e as presenças a confirmar de Niéde Guidon, Luiz Galdino, Gustavo Rocha e Waldir Pires); o almoço acontecerá das 12h30 às 13h30; e na parte da tarde,  a continuidade se dará com os aspectos urbanísticos e ambientais, das 13h30 às 17h, também com um intervalo de 30 minutos (das 15h30 às 16h) com as presenças já confirmadas de Aziz Ab’Saber, Ros Mari Zenha, Nabil Georges Bonduki (e com as presenças a confirmar de Cláudio Lembo, Eduardo Jorge, Carlos Augusto Machado Calil, Bucalen e Kassabi). Entre os convidados especiais já temos confirmado Reinaldo Inácio de Lima (Dirigente Regional de Ensino), Paulo Diaz (Educador Ambiental coordenador da
Incubadora de Cooperativas ITCP-USP), Carlos Zaratini, Donato e Chico Macena.

 

Pensamos em convidar o Diretor da DRE ao perceber tantas novas abordagens de Educação Ambiental que surgiram após o início do nosso projeto. E também porque, através da Educação, podemos  expandir o alcance de nossas propostas ambientais.  Quando fomos à Diretoria para convidá-lo, aproveitamos para conversar sobre o Salão Nobre (ou Teatro) da EE Alberto Torres completamente abandonado e sub-utilizado para guardar documentos da DRE, quando tanta falta faz um Teatro no Bairro do Butantã.

 

 

4 – Atividades do GT Website (www.fontedopeabiru.com.br)

 

Por enquanto, estamos com o foco sobre o conteúdo.

 

O site tem sido alimentado diariamente com documentos e informações sobre a Vila Pirajuçara, a Chácara da Fonte, a Rua da Fonte, o Projeto, os Relatórios de Atividades, a matéria da TV Câmara sobre a Audiência Pública e a página sobre a ManiFestAção.

 

Logo mais vamos nos voltar para a questão estética e interativa do site.

 

 

5- Atividades Administrativas e outras

 

Neste mês de junho, muitas foram as dificuldades administrativas e de comunicação com o FEMA e CAT, com várias reuniões e trocas de emails.

 

Julgamos conveniente deixar aqui registrado que, mesmo depois de termos apresentado, em

 

 

fevereiro, um documento denominado “Atividades Mensais”, somente neste mês de junho, quando Sonia Hambúrguer e Nelson Conde foram à secretaria tratar de questões relacionadas aos Relatórios Financeiros, inesperadamente, descobriram páginas duvidosas integrando o processo. Só então tomamos conhecimento da existência de dúvidas, de CAT e Comissão Financeira, quanto às atividades que deveríamos desenvolver.  Por que as dúvidas permaneceram durante tanto tempo?

 

Em Junho recebemos 50% do valor referente às atividades desenvolvidas em Fevereiro. E foi só.  Ou seja, as atividades deste projeto continuam a ser desenvolvidas sem o devido apoio de FEMA o que prejudica, em muito, a condição para desenvolvimento das atividades.

 

Agora, uma nova CAT foi designada para acompanhar nosso projeto. Thaís Prado Horta e Márcia Alarcon Rosa. Temos percebido boa vontade e estamos esperançosos que esta situação se regularize.

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