Localização: limita-se com Av. Corifeu de Azevedo Marques, Rua Santanésia e Rua da Fonte, na Vila Pirajuçara (hoje também conhecida como Morro do Querosene), no Butantã, em São Paulo, SP.

Extensão: aproximadamente 40.000 m²
Características Físicas:

  • grande declive (vai da baixa Corifeu – quase no nível do Rio Pinheiros – ao alto do Morro do Querosene)
  • 3 nascentes, uma delas a Fonte, cabeceira do Rio Pirajuçara Mirim, último afluente do Rio Pirajuçara antes deste desaguar no Rio Pinheiros (Bacia do Pirajuçara).
  • muros de pedras sobrepostas construído sem uso de argamassa.

Características Históricas:

  • à margem do Peabiru, ou melhor, ponto de encontro de várias trilhas que compunham a antiga malha de caminhos conhecida por Peabiru: caminho para Mato Grosso, Paraná, litoral (São Vicente), M´Boi (Santo Amaro) e interior do Estado (Campinas).
    (esta característica traz várias situações históricas: pousada de bandeirantes (1756), parada de tropeiros, trincheiras para impedir o avanço das tropas sulistas na Revolução de 32).
  • o tipo de pedra utilizada nos muros construídos sem argamassa, estes muros datam de uma época muito antiga, corroborando com a tese de que o Peabiru foi construído pelos Incas no ano 1000.
  • o tipo de banheira de azulejos para receber a água da Fonte, caracteriza um local para banho (ou batizados), diferente da água da Bica, a cerca de 300 metros de distância, que até 1970 serviu para saciar a sede dos viajantes e moradores da região.

Característica Cultural:

  • o Morro do Querosene é lugar onde acontecem inúmeras importantes manifestações culturais brasileiras (capoeira, bumba-meu-boi, samba-de-roda, tambor-de-crioula, grafites, poesia, música, cinema, teatro, escultura, pintura, bordados, jardinagem, culinária…)

Encaminhamentos realizados pela Associação Cultural da Comunidade do Morro do Querosene:

  • Em 2001, foi pedido Tombamento da Fonte ao CONPRESP e ao CONDEPHAAT.
  • Em 2 de outubro de 2002, após visita à gleba, o Sr Rogério Ribeiro da Luz, Conselheiro do CONDEPHAAT, emite seu parecer do qual destacamos o seguinte:
    “se o laudo comprovar a qualidade das águas, então, levando-se em consideração também a história, as tradições do local e a conseqüente importância social da Fonte e seu entorno para as pessoas da região, SOU TOTALMENTE FAVORÁVEL AO TOMBAMENTO SOLICITADO”.

Ele termina seu parecer dizendo: “esperemos o prometido laudo, portanto, o documento e o tempo vão indicar a melhor solução.”

O egrégio colegiado (CONDEPHAAT) em sessão ordinária de 14 de outubro de 2002 (apenas 12 dias após o parecer acima) delibera pelo arquivamento do Processo de Tombamento e aplica o artigo 179 de Decreto 20.955/83 que prevê a indicação da Fonte como local e obra que deve ser respeitada e preservada por SEMPLA e SABESP.

Orientados pelo Conselheiro, foi solicitada análise da água à SABESP que em 31/03/2003 emite o laudo – a água não está contaminada, a água é potável.

Em 22/03/2011 a SABESP confirma este resultado emitindo novo laudo.

Logo acima da Fonte, lixo e esgoto de vizinhos lindeiros à Chácara há muito tempo vem sendo jogado sobre o terreno (isto acontece até hoje). Esperava-se que a água estivesse contaminada. Mas o terreno é rochoso (Butantã na língua tupi significa terra dura-dura), a água que brota na Fonte vem de dentro da Terra, não é água de origem pluvial (mesmo em épocas de seca, brota com a mesma vazão), e a rocha a protege da contaminação do lixo e esgoto jogado na superfície do solo. Podemos dizer, nós que já experimentamos esta água, ela é fresca e rica em minerais, é água de excelente qualidade para se beber.

O Subprefeito do Butantã e presidente do CADES-BT, Sr. Régis Oliveira, encaminha solicitação para Sr Eduardo Jorge, Presidente do CADES e Secretário de SVMA, que encaminha para DEPLAN que por sua vez, encaminha para DEPLAN1, aos cuidados do Arq. Horácio C. Galvanese e, finalmente, o Ofício nº 552/SP-BT/GAB/2009 apresenta justificativa/parecer assinado pela Arq. Hélia Pereira, em dezembro de 2009, A FAVOR DA CRIAÇÃO DO PARQUE.

A estes documentos, acrescentamos o Decreto nº 30.443, de setembro de 1989, que considera PATRIMÔNIO AMBIENTAL os exemplares arbóreos classificados e descritos no documento “Vegetação Significativa do Município de São Paulo”. A Chácara da Fonte é destacada no Atlas da Vegetação Significativa, Carta 32, com a sigla ChR.

Fotos da Chácara

 

One Response to Pela criação do Parque da Fonte

  1. Para que isso se solucione e não se transforme em finalidade eleitoreira, ou até mesmo que o seja, o importante é dar um rumo, decisão, e a decisão que eu espero, que toda a comunidade da Vila Pirajussara espera, que a população aguarda, é o destinamento do espaço para o lazer público, para atividades culturais que são marca registrada do Morro. Que o poder público faça o seu papel de manutenção do meio ambiente, de espaços de lazer na cidade. Entre em um acordo honesto com esta família, resolva pacificamente para ambos os lados. Acredito muito que o espaço será muito bem preservado e utilizado, e não transformar-se-á em apenas mais uma praça abandonada. A região, apesar de outras áreas verdes alí próximas, também ameaçadas pela urbanização e priorização aos meios automotivos em detrimento ao pedestre, carece de espaço verde, respirável….